sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Revendo Insensato Coração


Ao longo do enredo de Insensato Coração, muitas coisas me incomodaram:

1. As soluções estapafúrdias encontradas pelos autores: Sequestrador morto ao ser cortado no tornozelo com uma faca de pão. Helicóptero que invade o pátio da cadeia com uma corda, matando uma dezena de policiais e arrancando um prisioneiro de lá. Personagem que possui uma chance em um milhão de engravidar que engravida duas vezes ao longo da novela...

2. Protagonistas pastéis, sem enredo e sem carisma (e a culpa é muito mais do roteiro do que dos atores. Paola Oliveira deu um show em outros papéis).

3. A narrativa soap opera: personagens que entram numa semana e saem na seguinte, minitramas irrelevantes para a condução da narrativa principal, como os casos Lavínia Vlasak e José Wilker.

4. A proliferação de mortes: 25 ao longo da trama.

5. A falta de caráter generalizada: A mocinha patética metendo a mão na cara de Lavínia Vlasak. A vítima boazinha que mata a colega da cadeia.

6. Os figurinos que ajudaram muito pouco a definir as características das personagens (com exceção de Natalie), servindo apenas como desfile de moda.

7. A falsa promessa do caso José Wilker: Tia Neném insinuava que ele seria pai de um dos filhos de Wanda, mas a trama não vingou.

8. As personagens caracturais: Bibi, André.

9. A proliferação de personagens sem graça, sem sal, fakeados de bonzinhos: Rafa, Cecília, Marina, Alice.

Entretanto, tendo o enredo chegado ao final, sou obrigado a admitir pontos positivos da novela:

1. Excelente intervenção social em relação à homofobia, com as agressões sofridas por Xicão e Gilvan.

2. Capacidade admirável dos autores de amarrarem, nos últimos capítulos, os acontecimentos aparentemente aleatórios ocorridos ao longo dos capítulos.

3. Personagens marcantes e bem construídos: Léo, Norma, Douglas, Roni, Natalie, Cortez, Tia Neném, Eunice.

4. Sequências sensacionais, como a falsa morte de Léo, a primeira prisão de Cortez, o desfecho do golpe sofrido por Carmem, a morte de Léo.

5. Últimos capítulos empolgantes.


Também admito que a aparente ausência de uma trama principal, que persistiu durante quase toda a trama, foi solucionada a partir da vingança de Norma em relação a Léo, que acabou ocupando esse lugar. Prevista desde o começo do enredo, essa trama não surgiu de cara: o protagonismo (ao menos proposto) não pertencia à personagem de Glória Pires.

Em minha opinião, essa aparente ausência de trama principal se deveu ao fato de o acidente que matou Luciana ter sido apresentado quase como um evento aleatório. Só do meio da novela pra frente, pudemos saber que a queda do avião foi, na verdade, um golpe de Léo. Se isso tivesse sido explicitado desde o começo, entenderíamos a trama principal como a inveja de Léo a Pedro (o que parece ser, na verdade, o que os autores tentaram propor infrutiferamente). Pra que esconder a vilania desse personagem? Além de atrapalhar o esclarecimento do enredo, não parece ajudar nada na construção dele. Em casos como Flora (A Favorita, 2008-2009) e Clara (Passione, 2010-2011), isso fez sentido, mas não aqui.

Enfim, pra mim, Insensato Coração foi uma novela ruim, com algumas características muito interessantes.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Todos os ingredientes necessários


Estreou hoje a nova novela das sete da Rede Globo, “Ti-ti-ti”, de Maria Adelaide Amaral. O episódio correu de forma leve, sem as costumeiras mega cenas de ação que, a pesar de lindas, não dizem quase nada sobre o enredo de uma novela. Com isso, o público pôde entender bem a história, os núcleos, as personagens. A trama pareceu ser muito boa.

Texto agradável e atuações convincentes. Destaque para Malu Mader, Guilhermina Guinle, André Arteche e Gustavo Leão.

Excelente caracterização das personagens no que diz respeito a figurinos, como pôde ser visto a partir de Adriano (Rafael Zulu) e Help (Betty Gofman), e também em relação e elementos como o corte de cabelo, como os de Edgar (Caio Castro), Julinho (André Arteche) e Ariclenes (Murilo Benício).

Abertura bem humorada. Trilha sonora combinando com a trama. Continuidade bem feita. Boa transição entre as cenas, em especial o recurso utilizado para inserção de flash back.

Sotaque mineiro na medida, a começar por Ísis Valverde, que sabe bem o que está fazendo, já que nasceu em Belo Horizonte. A cidade, inclusive, foi muito bem representada, com gravações na Praça da Liberdade e na Lagoa da Pampulha.

Nesta última, houve uma excelente cena em que Osmar (Gustavo Leão) quase bate o carro. A sequência conseguiu fazer marketing social sobre o uso de celulares durante a direção, ajudou a amarrar a trama (já que sabemos que a personagem de Gustavo Leão morrerá em breve num acidente de carro) e a caracterizar as personagens Osmar (Gustavo Leão) e Julinho (André Arteche), e foi muito bonita.

As personagens gays não são estereotipadas e, por outro lado, são bastante convincentes. Boa tematização religiosidade x homossexualidade.

O núcleo encabeçado por Nicole (Elizângela) e Marta (Dira Paes) é hilário.

Bom elenco jovem (Carolina Oliveira, Fernanda Souza, Ísis Valverde, Gustavo Leão, André Anteche, Davi Lucas). Mas o elenco mais maduro também não fica para trás (Mauro Mendonça, Nicette Brubo, Malu Mader, Elizângela, Cláudia Raia).

Destaque também para as iniciantes Juliana Paiva e Clara Tiezzi.

Duas atrizes, entretanto, não me agradaram muito. Camila Bianchi, com gestos e entonações teatrais e fora de contexto, e Giulia Gam, um pouco exagerada.

“Ti-ti-ti” tem a excelente direção de Jorge Fernando, que sempre é receita de sucesso. Tomara que continue tão boa quanto foi seu primeiro episódio.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Globo Mar: excelente produção


Imagina uma repórter de short e cabelo atrapalhado, fazendo uma passagem de dentro do mar. De repente uma onda bate nas pernas dela, fazendo-a dizer: “Opa, quase que eu caio!” Por mais que pareça estranho e fora de qualquer padrão, essa é uma das melhores passagens que eu tenho visto nos últimos tempos.

Hoje assisti o programa “Globo Mar” pela primeira vez, e, embora esteja dando um tempinho com o AudienciAtiva, não consegui deixar de escrever sobre essa nova produção da Rede Globo.

Nem o jornalístico “Profissão Repórter”, que eu considero muito bom, consegue atingir o nível de excelência desse novo programa. Fotografia perfeita, digna de cinema. Texto muito bem escrito. Narrativa igualmente bem construída. Descontração, naturalidade, mas com profissionalismo.

Falta um pouco de investigação, de relevância nos temas reportados, mas a idéia de abordar um tema de forma mais cotidiana, peculiar, não deixa de ser interessante, a pesar de perigosa, pois gera o risco de virar “mais do mesmo” em pouco tempo.

O horário também é péssimo. A Globo faz boas produções nos horários mais inadequados. Que tal domingo de manhã? Sábado à noite? Não entendo por que alguns horários tem tão poucas opções...

terça-feira, 30 de março de 2010

Dourado disse que só homossexuais pegam AIDS...


Big Brother Brasil
. Um dos assuntos mais falados ultimamente no país. Para muitos é apenas mais um programa frívolo para pessoas fúteis que se interessam pela vida alheia. Mas a questão do BBB vai muito além.

O Big Brother pode ser encarado como uma forma do público julgar os participantes. No entanto, um papel fundamental do maior reality show da televisão brasileira é julgar o próprio público. Julgar o que o publico considera certo ou errado. Aliás, vou me referir ao público como o povo brasileiro, ou apenas o brasileiro. O brasileiro julga os participantes por seus atos, mas com base em seus valores, em seus princípios morais. E de acordo com os resultados de tais julgamentos, os chamados “paredões”, podemos traçar o perfil do brasileiro.

Um dos participantes favoritos a ganhar esta décima edição do BBB é Marcelo Dourado. Uma pessoa que diz que heterossexuais não pegam AIDS. Isso seria ignorância? Preconceito? Não posso afirmar ao certo. O que posso afirmar é que Dourado é o símbolo da arrogância e da falta de respeito. Será mesmo que o povo o elegerá vencedor como se ele representasse bem o perfil do brasileiro? O mesmo povo que elege Maluf, Arruda, Sarney.

O Dourado vencer este BBB é como ele ser eleito nosso modelo a ser seguido. Estamos no século XXI e precisamos evoluir. Não cabe mais preconceito de qualquer natureza, tampouco desrespeito a qualquer ser humano. Quando participou da quarta edição do reality-show, Dourado chegou a dizer que iria “cuspir na cara do Caetano Veloso”. Não consigo acreditar que uma pessoa que fala barbaridades como essas mereça ganhar um milhão e meio de reais. E não acredito também que o brasileiro se sinta bem representado por tal perfil. Ainda acredito no ser humano e nos valores.

Algumas edições do BBB pareceram mais projetos de caridade que um jogo, por premiar os participantes mais necessitados. Atualmente o reality show é encarado realmente como um jogo e julgam que o melhor estrategista mereça vencer. Mas antes de tudo, temos que pensar no caráter, nos valores, nos princípios. Não vale a pena passar por cima das pessoas por dinheiro. E as diferenças devem ser respeitas, afinal, é a diversidade que faz a beleza da vida. Então, nessa reta final do BBB, vote pela preservação dos valores e contra qualquer tipo de preconceito. Vote contra Dourado! Vote Fernanda!

Tacísio Pereira - Estudante de Engenharia da Computação, CEFET-MG

sábado, 27 de março de 2010

Dourado: homofóbico.


Depos de pensar muito sobre a questão do Marcelo Dourado (BBB10) e da homossexualidade, finalmente consegui enquadrar a situação.

Em "Crash - no limite" (Paul Haggis, 2004), Matt Dillon e Ryan Phillippe vivem dois policiais. O oficial John Ryan ofende os negros o tempo todo, mas põe sua vida em risco e quase morre para salvar uma negra que havia desrespeitado. Já o Oficial Hanson sempre defende os negros, mas, quando dá carona para um, injustamente acredita que vai ser assaltado e acaba matando o cara.

O Dourado é como o primeiro: apesar de não gostar dos gays, não vê alguém apenas por essa característica. Ele enxerga a pessoa que há por trás do gay (por favor, não interpretar tendenciosamente). Isso faz com que, no âmbito do discurso, ele ofenda os gays o tempo todo, mas no da ação, não segregue o Serginho ou o Dimmy.

Os dois policiais são racistas, cada um a seu modo.

Da mesma forma, Dourado respeita a orientação sexual alheia (no sentido "eu lá e ele cá"), não exclui os gays da casa e conhece seu preconceito, mas é homofóbico pelo discurso que apresenta, definindo a homossexualidade com algo ruim.

Outros poderiam adotar um discurso de que gays tem que ser respeitados e que a diversidade deve ser valorizada, mas no fundo os detestar.

Nenhum dos dois tipos de preconceito é válido. Ambos são homofobia.

Sendo assim, finalmente tenho uma posição sobre Dourado: ele é homofóbico sim. Quero que ele saia.

Observação: Meu posicionamento em relação ao comentário do leitor Hugo no post anterior: Primeiro obrigado pelo comentário. Segundo talvez 80% dos héteros sejam mesmo como ele, mas se é assim, então 80% dos héteros estão errados... não é por que são a maioria que isso deve ser considerado normal, afinal nem tudo que é comum é normal.