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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dalva e Herivelto: impressão da estréia


Ontem à noite foi ao ar o primeiro episódio de "Dalva e Herivelto - uma canção de amor", de Maria Adelaide Amaral. A minissérie, que possuirá somente cinco episódios, apresentou um ritmo acelerado, típico de produções em que há mais histórias para se contar do que tempo necessário para isso.

Ao fim do primeiro bloco, senti como se toda a história do casal fosse ser contada em um único episódio. Não é para menos: em uma cena, Dalva se apresenta a Herivelto, quatro cenas depois, ela já está grávida e morando junto com ele.

Sabe quando o texto é tão curto que sua única finalidade é explicar para o público aquilo que está acontecendo? "Sim, mamãe, agora estamos morando juntos", "Quero anunciar que Dalva de Oliveira está esperando um bebê!", "Amor, esta é a nossa nova casa". O episódio de ontem pareceu um daqueles resumos que antecedem a episódios de séries americanas, mostrando o que de mais relevante ocorreu no episódio anterior.

Além disso, com essa pressa toda, a caracterização dos personagens fica comprometida. Quem é mesmo "Mariazinha"? Alguém falou sobre ela em algum momento... Ah, sim, é a mãe de dois dos filhos de Herivelto. A Dalva tem duas irmãs, não é? Quem são elas mesmo? E Herivelto? É autoritário e ríspido ou doce e flexível? Não sei... a cada cena ele apareceu do jeito que mais convinha para contar um determinado acontecimento...

De uns tempos para cá, a Globo tem reduzido cada vez mais o número de episódios de suas minisséries. "Cinquentinha", de Aguinaldo Silva, que foi ao ar em dezembro passado, teve apenas oito episódios. Quando "Hoje é dia de Maria" foi ao ar, em 2005, também teve oito episódios, mas foi chamada de microssérie. Apesar disso, tinha uma história que fluía de forma agradável e um maravilhoso texto.

"A casa das sete mulheres", uma das minisséries de maior sucesso já produzidas pela Rede Globo, também escrita por Maria Adelaide Amaral, teve cinquenta e dois episódios. Da mesma forma, "Dalva e Herivelto - uma canção de amor" poderia ter sido escrita em muito mais episódios. Vinte, quarente talvez. Dessa forma, a narrativa poderia fluir de forma muito mais natural, e o texto poderia se libertar bastante de sua função informativa, tornando-se mais livre e agradável, como em "Queridos amigos", última minissérie escrita pela autora.