terça-feira, 30 de março de 2010

Dourado disse que só homossexuais pegam AIDS...


Big Brother Brasil
. Um dos assuntos mais falados ultimamente no país. Para muitos é apenas mais um programa frívolo para pessoas fúteis que se interessam pela vida alheia. Mas a questão do BBB vai muito além.

O Big Brother pode ser encarado como uma forma do público julgar os participantes. No entanto, um papel fundamental do maior reality show da televisão brasileira é julgar o próprio público. Julgar o que o publico considera certo ou errado. Aliás, vou me referir ao público como o povo brasileiro, ou apenas o brasileiro. O brasileiro julga os participantes por seus atos, mas com base em seus valores, em seus princípios morais. E de acordo com os resultados de tais julgamentos, os chamados “paredões”, podemos traçar o perfil do brasileiro.

Um dos participantes favoritos a ganhar esta décima edição do BBB é Marcelo Dourado. Uma pessoa que diz que heterossexuais não pegam AIDS. Isso seria ignorância? Preconceito? Não posso afirmar ao certo. O que posso afirmar é que Dourado é o símbolo da arrogância e da falta de respeito. Será mesmo que o povo o elegerá vencedor como se ele representasse bem o perfil do brasileiro? O mesmo povo que elege Maluf, Arruda, Sarney.

O Dourado vencer este BBB é como ele ser eleito nosso modelo a ser seguido. Estamos no século XXI e precisamos evoluir. Não cabe mais preconceito de qualquer natureza, tampouco desrespeito a qualquer ser humano. Quando participou da quarta edição do reality-show, Dourado chegou a dizer que iria “cuspir na cara do Caetano Veloso”. Não consigo acreditar que uma pessoa que fala barbaridades como essas mereça ganhar um milhão e meio de reais. E não acredito também que o brasileiro se sinta bem representado por tal perfil. Ainda acredito no ser humano e nos valores.

Algumas edições do BBB pareceram mais projetos de caridade que um jogo, por premiar os participantes mais necessitados. Atualmente o reality show é encarado realmente como um jogo e julgam que o melhor estrategista mereça vencer. Mas antes de tudo, temos que pensar no caráter, nos valores, nos princípios. Não vale a pena passar por cima das pessoas por dinheiro. E as diferenças devem ser respeitas, afinal, é a diversidade que faz a beleza da vida. Então, nessa reta final do BBB, vote pela preservação dos valores e contra qualquer tipo de preconceito. Vote contra Dourado! Vote Fernanda!

Tacísio Pereira - Estudante de Engenharia da Computação, CEFET-MG

sábado, 27 de março de 2010

Dourado: homofóbico.


Depos de pensar muito sobre a questão do Marcelo Dourado (BBB10) e da homossexualidade, finalmente consegui enquadrar a situação.

Em "Crash - no limite" (Paul Haggis, 2004), Matt Dillon e Ryan Phillippe vivem dois policiais. O oficial John Ryan ofende os negros o tempo todo, mas põe sua vida em risco e quase morre para salvar uma negra que havia desrespeitado. Já o Oficial Hanson sempre defende os negros, mas, quando dá carona para um, injustamente acredita que vai ser assaltado e acaba matando o cara.

O Dourado é como o primeiro: apesar de não gostar dos gays, não vê alguém apenas por essa característica. Ele enxerga a pessoa que há por trás do gay (por favor, não interpretar tendenciosamente). Isso faz com que, no âmbito do discurso, ele ofenda os gays o tempo todo, mas no da ação, não segregue o Serginho ou o Dimmy.

Os dois policiais são racistas, cada um a seu modo.

Da mesma forma, Dourado respeita a orientação sexual alheia (no sentido "eu lá e ele cá"), não exclui os gays da casa e conhece seu preconceito, mas é homofóbico pelo discurso que apresenta, definindo a homossexualidade com algo ruim.

Outros poderiam adotar um discurso de que gays tem que ser respeitados e que a diversidade deve ser valorizada, mas no fundo os detestar.

Nenhum dos dois tipos de preconceito é válido. Ambos são homofobia.

Sendo assim, finalmente tenho uma posição sobre Dourado: ele é homofóbico sim. Quero que ele saia.

Observação: Meu posicionamento em relação ao comentário do leitor Hugo no post anterior: Primeiro obrigado pelo comentário. Segundo talvez 80% dos héteros sejam mesmo como ele, mas se é assim, então 80% dos héteros estão errados... não é por que são a maioria que isso deve ser considerado normal, afinal nem tudo que é comum é normal.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Tempos modernos é no horário das seis


A novela “Cama de gato”, de Thelma Guedes e Duca Rachid, que está chegando aos seus capítulos finais, tem uma trama que foge bastante dos padrões. Cheia de reviravoltas, e com novas surpresas a cada semana, ela tem conseguido uma audiência excelente para o horário.

A novidade trazida pela novela é a velocidade. Diferentemente do ritmo acelerado das novelas de Walcyr Carrasco e Carlos Lombardi, em que temas novos são introduzidos a cada semana, o que Cama de Gato traz de rápido é o desenvolvimento do enredo.

“Viver a vida”, de Manoel Carlos, tem apresentado um ritmo tão lento que acontecimentos previstos a cerca de seis meses, quando a novela começou a ir ao ar, até hoje não ocorreram. “Cama de gato”, por outro lado, apresentou, no último mês, algo bastante novo na teledramaturgia brasileira: semanas antes de sua finalização, a trama já estava mais bem resolvida do que a da maioria das novelas ao chegar em seu penúltimo episódio.

Na semana passada, faltando quatro meses para a finalização da novela, os vilões já haviam sido desmascarados e presos, os casais que enfrentaram problemas para ficar juntos durante toda a trama, inclusive os protagonistas, já haviam conseguido vencer as barreiras que impediam a união.

No entanto, o que os episódios desta semana têm mostrado é que, mesmo assim, a novela ainda promete. A vilã arquiteta uma fuga, o relacionamento dos protagonistas está abalado por uma traição, um dos casais foi destruído por uma morte trágica.

E essa velocidade não se destaca apenas por isso. Poucos episódios depois do início da novela, a trama já começou para valer: o protagonista foi acusado injustamente por um crime e dado como morto. A novela poderia ter explorado esse fato até o final, mas não: cerca de dois meses depois o protagonista já tinha dado a volta por cima e largado a vilã para se casar com a mocinha.

Mas nem tudo havia se resolvido: dessa vez um amigo do protagonista é quem passou a ser responsabilizado pelo crime, que (óbvio) havia sido cometido pela vilã, que, como eu já disse, já foi desmascarada, comprovando a inocência de mais um injustiçado.

Pena que a novela irá ter tão poucos episódios: apenas 162, em seis meses de exibição.

Bial parcial


Nesta edição do Big Brother Brasil, Pedro Bial está mais parcial que nunca.

O apresentador já fez coisas como falar ao vivo para Lia que a adorava e comentar que não havia entendido o resultado do paredão em que Tessália foi eliminada.

Até mesmo chamou Serginho de narcisista, disse que Dourado queria aparecer e que Michel ficava entre as duas casas. Isso tudo ao analisar o lugar em que cada um dos brothers se sentava durante as edições do programa.

Ele também já fez coisas como perguntar para Serginho se ele é ativo ou passivo, e (preconceitos à parte) aconselhá-lo a não cortar os pulsos, em referência à sua identidade emo.

Por último, insinuou que Lia está apaixonada por Cadu, assim como já tinha feito em relação a Serginho e Michel.

Na minha opinião, a função de um apresentador de reality shows é exatamente colocar lenha na fogueira. Já disse aqui que acredito que esse Big Brother se destaca pela honestidade. Para mim, a parcialidade do Bial não compromete em nada o desenvolvimento do programa, e só aquece as relações entre os participantes e as discussões do público.

Não é por que o Bial tem uma opinião sobre os participantes que os telespectadores vão concordar com ele. Pelo contrário, a opinião do apresentador só reforça a do telespectador: se ele não concorda com o Bial, sua discordância só será aumentada.

Mas deixei para o final a imparcialidade mais cômica (e uma das maiores pérolas do programa): o vácuo em que Bial deixou Jozi ao ser perguntado sobre quem era a sua participante favorita. Jozi acreditava que seria ela. Bial respondeu “Priscila, do BBB9”. Hilário.

quarta-feira, 17 de março de 2010

“Viver a vida” usa bem o fechamento da novela


A novela “Viver a Vida” tem uma excelente trilha sonora. No entanto, por ser muito grande (são três CDs, e algumas músicas ficaram de fora de todos eles), fica difícil para o público conhecer todas as canções.

Uma estratégia interessante tem sido realizada: na hora de exibir os créditos da novela um trecho de uma das músicas é apresentado. A música selecionada muda a cada semana.

Pena que isso não seja suficiente para compensar o fato de músicas que são bastante tocadas na novela, como “Ver ver”, de Tamy, ou “O último pôr-do-sol”, de Lenine, não estarem nos CDs...

Mesma sacada de sempre


Até quando os autores vão continuar usando as mesmas estórias?

Desta vez foi Bosco Brasil, na até então fracassada “Tempos Modernos”, quem reviveu a chatice dos irmãos que se apaixonam, posteriormente se separaram por descobrirem o fato, e mais tarde descobrem que não são irmãos coisa nenhuma.

Que falta de criatividade...

Nextel tem excelente merchandising em “Viver a vida”


Em tempos de merchandisings cada vez mais frequentes e forçados nas novelas, o episódio de ontem de “Viver a vida” levou ao ar uma proposta muito bem elaborada.

Helena (Taís Araújo) e Bruno (Thiago Lacerda) conversaram via Nextel sobre um trabalho que fizeram juntos e marcaram um encontro na produtora em que trabalham.

Durante a cena, a aparição do aparelho, bem como a sua utilização, soou muito natural e ajudou na composição.

A boa execução lembra o comentadíssimo merchandising da Hellmann’s, em “Toma lá dá cá”.

segunda-feira, 15 de março de 2010

“Malhação” tem ótimo texto, bom-humor e boa caracterização das personagens


A atual temporada de “Malhação”, escrita por Ricardo Hofstetter, que já havia escrito a série em 2004, tem apresentado um texto leve, inteligente e muito interessante, diferentemente do que vinha ocorrendo nas temporadas anteriores, que apresentavam textos infantis e pouco elaborados.

Sacadas como as confusões provocadas pela semelhança entre o nome das cidades de “Serra da Pedra” e “Pedra da Serra”, por exemplo, tornam o texto delicioso. Ao mesmo tempo, temas fortes como doenças sexualmente transmissíveis e literatura erótica tornam o texto atraente até mesmo para o público adulto.

Um excelente elenco tem sido contemplado com personagens muito bons. Maria Cláudia, personagem de Isabella Dionísio, por exemplo, é a patricinha fuchiqueira. O casal Valentina e Lucca, personagens de Júlia Bernat e Erik Vesch, são totalmente fora dos padrões: ele é frágil e sensível; ela é marrenta e racional. As vilãs também se apresentam de forma muito criativa: ambas apaixonadas pelo protagonista, elas tentam atrapalhar o namoro do casal principal juntas.

Um outro ponto alto da produção é a trilha sonora, que revive com estilo sucessos da década de 80.

Pena que a audiência não esteja agradando a emissora, que irá adiantar o fim da temporada. A Globo ainda não percebeu que a perda de audiência, em vários horários, não é algo tão simples de se contornar, e que por mais boa que seja uma trama, ela não irá alcançar um sucesso como o obtido em 2004 facilmente.

Dourado: homo friendly ou homofóbico?


Considera ser chamado de homossexual, sem o ser, algo tão negativo quanto ser chamado de neo-nazista ou de ladrão, sem o ser...

Diz que o trabalho de Dicésar como transformista é maravilhoso.

Sente nojo de ver homens se beijando...

Diz que entende o comportamento de Dicésar de tentar agradar a todos, já que ele sofre muito por viver em um mundo preconceituoso, sendo rejeitado por isso.

No mínimo contraditório.

Na certa não compreende e não se dá bem com a diversidade sexual.

Mas também na certa respeita o direito à diferença e conhece seus próprios preconceitos.

Todos nós não temos preconceitos?

Somos capazes de assumi-los?

Dourado não é um exemplo (Nem se quer vou com a cara dele).

Mas o comportamento dele é assim tão condenável?

Não reflete o que cada um de nós sente por alguém, de certa forma, mas esconde?

Também não sei a resposta, na verdade...

quarta-feira, 3 de março de 2010

“Viver a Vida” tem sérios problemas no ritmo e na continuidade


A novela “Viver a Vida”, de Manoel Carlos, está apresentado um ritmo cada vez mais lento. Apesar de essa ser uma marca das novelas do autor, que foca no cotidiano e não nas grandes narrativas, o problema pode estar relacionado também aos atrasos do mesmo ao entregar os capítulos da trama.


A estória tem se desenvolvido de forma tão lenta que a passagem de um dia, para os personagens, tem durado por tvolta de três capítulos da novela. É o que está acontecendo atualmente, com o dia da festa de boas-vindas de Luciana na casa amarela e o dia seguinte.

Além disso, desenlaces que o público já conhece de antemão e espera há mais de três meses ainda não ocorreram. É o caso do tão esperado romance entre Felipe e Teresa, personagens de Rodrigo Hilbert e Lília Cabral. Também está demorando muito a evolução da história da médica Ariane, personagem de Christine Fernandes, apaixonada pelo marido de sua paciente.

Para piorar a situação, têm ocorrido problemas na continuidade da novela. No episódio de segunda-feira, dia primeiro de março, Miguel, personagem de Mateus Solano, foi à casa amarela acompanhar a fisioterapia de Luciana, personagem de Alinne Moraes. Cenas mais tarde ele estava indo dormir na noite do dia anterior.

Uma novela que começou tão bem...