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sexta-feira, 19 de março de 2010

Tempos modernos é no horário das seis


A novela “Cama de gato”, de Thelma Guedes e Duca Rachid, que está chegando aos seus capítulos finais, tem uma trama que foge bastante dos padrões. Cheia de reviravoltas, e com novas surpresas a cada semana, ela tem conseguido uma audiência excelente para o horário.

A novidade trazida pela novela é a velocidade. Diferentemente do ritmo acelerado das novelas de Walcyr Carrasco e Carlos Lombardi, em que temas novos são introduzidos a cada semana, o que Cama de Gato traz de rápido é o desenvolvimento do enredo.

“Viver a vida”, de Manoel Carlos, tem apresentado um ritmo tão lento que acontecimentos previstos a cerca de seis meses, quando a novela começou a ir ao ar, até hoje não ocorreram. “Cama de gato”, por outro lado, apresentou, no último mês, algo bastante novo na teledramaturgia brasileira: semanas antes de sua finalização, a trama já estava mais bem resolvida do que a da maioria das novelas ao chegar em seu penúltimo episódio.

Na semana passada, faltando quatro meses para a finalização da novela, os vilões já haviam sido desmascarados e presos, os casais que enfrentaram problemas para ficar juntos durante toda a trama, inclusive os protagonistas, já haviam conseguido vencer as barreiras que impediam a união.

No entanto, o que os episódios desta semana têm mostrado é que, mesmo assim, a novela ainda promete. A vilã arquiteta uma fuga, o relacionamento dos protagonistas está abalado por uma traição, um dos casais foi destruído por uma morte trágica.

E essa velocidade não se destaca apenas por isso. Poucos episódios depois do início da novela, a trama já começou para valer: o protagonista foi acusado injustamente por um crime e dado como morto. A novela poderia ter explorado esse fato até o final, mas não: cerca de dois meses depois o protagonista já tinha dado a volta por cima e largado a vilã para se casar com a mocinha.

Mas nem tudo havia se resolvido: dessa vez um amigo do protagonista é quem passou a ser responsabilizado pelo crime, que (óbvio) havia sido cometido pela vilã, que, como eu já disse, já foi desmascarada, comprovando a inocência de mais um injustiçado.

Pena que a novela irá ter tão poucos episódios: apenas 162, em seis meses de exibição.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Mesma sacada de sempre


Até quando os autores vão continuar usando as mesmas estórias?

Desta vez foi Bosco Brasil, na até então fracassada “Tempos Modernos”, quem reviveu a chatice dos irmãos que se apaixonam, posteriormente se separaram por descobrirem o fato, e mais tarde descobrem que não são irmãos coisa nenhuma.

Que falta de criatividade...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Alta probabilidade de fracasso


Há muito tempo eu não via um texto tão infantil em uma novela da Globo. Até mesmo o seriado “Malhação”, que sempre teve uma linguagem adolescente, e nas últimas temporadas tem deixado mais ingênuo e leve o texto, nunca apresentou uma linguagem tão pobre quanto a de “Tempo modernos”, a novela das sete que estreou ontem.

Há um limite enorme entre o que engraçado e o que é patético, e Bosco Brasil não parece ser a pessoa mais indicada para demonstrar onde ele se encontra. É muito comum que as novelas das sete tenham um texto leve e divertido, mas o que se vê em “Tempos modernos” é um texto que parece ter sido escrito para um dos piores quadros do humorístico “Zorra total” ou para o enlatado adolescente “Isa TKM” da Band.

Alguns atores se destacam no quesito texto ruim. Estes, se tiverem bom-senso, devem estar arrependidos por terem aceitado o convite para atuar nessa novela. A campeã das falas patéticas é Nelinha (Fernanda Vasconcellos), com pérolas do tipo: “Super herói? Só se for de gibi... apresentaaando: capitão confusão!”. Seguindo a lista do texto no sense, vem Goretti, personagem de Regiane Alves, que parece ter dez anos de idade e um QI de ameba. Outros, como Regiane (Viviane Pasmanter) e Tertuliana (Débora Duarte) não ficam para trás.

E se o problema fosse só as falas, não seria tão grande. Mas a forma como as cenas se desenvolvem também é bastante ingênua, para não dizer boba. Um cara pendurado num carro capotado que vê alguém chegando, ao invés de pedir ajuda, fica se perguntando o que a outra pessoa estaria querendo naquele local. Uma mulher vê seu ex-marido acidentado e, ao invés de perguntar como ele está, fica fazendo gracinhas como se estivessem brincando num jardim.

Para piorar, a direção de José Luiz Villamarim não está ajudando em nada: os atores parecem ter se tornado marinheiros de primeira viagem novamente, com expressões faciais totalmente exageradas e ações inseguras e infantis, parecem canastrões de peças de escola.

As últimas novelas da Globo com textos patéticos tiveram resultados mais patéticos ainda. Estou falando de “Três irmãs” (2008), de Antônio Calmon, no horário das sete, e “Negócio da China” (2008), de Miguel Falabella, no horário das seis. O que impressiona é que depois de fracassos como esses, a Globo ainda se permita apostar em tramas com textos tão ruins.

Quer fazer uma novela engraçada? Primeiro aprenda a escrever bem, e não esqueça de ter um bom diretor. Walcyr Carrasco e Jorge Fernando acabaram de mostrar que isso é possível: fizeram um novela engraçada, bem-escrita e bem-dirigida. Em nenhum momento o texto decepcionou ou pareceu ser escrito para crianças bobas, e os atores souberam achar o ponto exato para passar verdade em suas ações.

Destaque para a abertura e a fotografia de “Tempos modernos”, que, em meio a uma direção e a um texto tão ruins, têm conseguido se sobressair como os pontos altos da produção.