Para falar que o Zorra Total tem um estilo ultrapassado e desestimulante, e que seus textos são fracos e preconceituosos, ninguém precisa deste blog, pois já há muita gente defendendo esse ponto de vista.
Com isso, não quero dizer que não concordo com essa avaliação. Muito pelo contrário. Mas hoje venho destacar dois pontos do programa que são bastante positivos, e que nem sempre recebem a mesma ênfase.
O primeiro deles é a qualidade dos humoristas que fazem parte do elenco. Por mais que o formato seja adequado ao início do século passado e a maioria dos textos pareça ser escrita para crianças, com doses de homofobia e machismo, o elenco do programa é, e sempre foi, de primeira.
Alguém ousa se opor ao talento de Fabiana Karla, Maria Clara Gueiros, Samanta Schmütz e Katiuscia Canoro, por exemplo? Todas revelações do programa, cada uma delas é hoje uma das maiores humoristas do país.
É sobre essa última o outro ponto positivo: de todos os quadros do programa, nesses mais de dez anos que ele vai ao ar, eu não me lembro de nenhum mais bem escrito, bem executado e mais criativo que o de Lady Kate.
Já há quase um ano no ar, o quadro não se prende ao mais-do-mesmo e ao reaproveitamento do roteiro anterior, como a maioria dos demais.
No programa de ontem, a nova rica se apaixonou pelo enteado, que já tinha uma namorada igualzinha a ela. No da semana passada, ela foi cantar em um karaokê e revelou o talento de uma cozinheira. Há algum tempo, foi fazer bronzeamento artificial, exagerou e acabou negra. Fez um tratamento pra corrigir e ficou albina.
Enfim, a cada semana o quadro surpreende, e, já que conta com um ótimo elenco e um texto muito engraçado, não deixa de fazer sucesso.
Que o quadro possa servir de exemplo para o programa, que tem tudo pra ser melhor do que é, só bastando, para isso, acertar alguns ponteiros e apostar na criatividade, como tem feito com a história de Lady Kate.