sexta-feira, 30 de abril de 2010

Globo Mar: excelente produção


Imagina uma repórter de short e cabelo atrapalhado, fazendo uma passagem de dentro do mar. De repente uma onda bate nas pernas dela, fazendo-a dizer: “Opa, quase que eu caio!” Por mais que pareça estranho e fora de qualquer padrão, essa é uma das melhores passagens que eu tenho visto nos últimos tempos.

Hoje assisti o programa “Globo Mar” pela primeira vez, e, embora esteja dando um tempinho com o AudienciAtiva, não consegui deixar de escrever sobre essa nova produção da Rede Globo.

Nem o jornalístico “Profissão Repórter”, que eu considero muito bom, consegue atingir o nível de excelência desse novo programa. Fotografia perfeita, digna de cinema. Texto muito bem escrito. Narrativa igualmente bem construída. Descontração, naturalidade, mas com profissionalismo.

Falta um pouco de investigação, de relevância nos temas reportados, mas a idéia de abordar um tema de forma mais cotidiana, peculiar, não deixa de ser interessante, a pesar de perigosa, pois gera o risco de virar “mais do mesmo” em pouco tempo.

O horário também é péssimo. A Globo faz boas produções nos horários mais inadequados. Que tal domingo de manhã? Sábado à noite? Não entendo por que alguns horários tem tão poucas opções...

terça-feira, 30 de março de 2010

Dourado disse que só homossexuais pegam AIDS...


Big Brother Brasil
. Um dos assuntos mais falados ultimamente no país. Para muitos é apenas mais um programa frívolo para pessoas fúteis que se interessam pela vida alheia. Mas a questão do BBB vai muito além.

O Big Brother pode ser encarado como uma forma do público julgar os participantes. No entanto, um papel fundamental do maior reality show da televisão brasileira é julgar o próprio público. Julgar o que o publico considera certo ou errado. Aliás, vou me referir ao público como o povo brasileiro, ou apenas o brasileiro. O brasileiro julga os participantes por seus atos, mas com base em seus valores, em seus princípios morais. E de acordo com os resultados de tais julgamentos, os chamados “paredões”, podemos traçar o perfil do brasileiro.

Um dos participantes favoritos a ganhar esta décima edição do BBB é Marcelo Dourado. Uma pessoa que diz que heterossexuais não pegam AIDS. Isso seria ignorância? Preconceito? Não posso afirmar ao certo. O que posso afirmar é que Dourado é o símbolo da arrogância e da falta de respeito. Será mesmo que o povo o elegerá vencedor como se ele representasse bem o perfil do brasileiro? O mesmo povo que elege Maluf, Arruda, Sarney.

O Dourado vencer este BBB é como ele ser eleito nosso modelo a ser seguido. Estamos no século XXI e precisamos evoluir. Não cabe mais preconceito de qualquer natureza, tampouco desrespeito a qualquer ser humano. Quando participou da quarta edição do reality-show, Dourado chegou a dizer que iria “cuspir na cara do Caetano Veloso”. Não consigo acreditar que uma pessoa que fala barbaridades como essas mereça ganhar um milhão e meio de reais. E não acredito também que o brasileiro se sinta bem representado por tal perfil. Ainda acredito no ser humano e nos valores.

Algumas edições do BBB pareceram mais projetos de caridade que um jogo, por premiar os participantes mais necessitados. Atualmente o reality show é encarado realmente como um jogo e julgam que o melhor estrategista mereça vencer. Mas antes de tudo, temos que pensar no caráter, nos valores, nos princípios. Não vale a pena passar por cima das pessoas por dinheiro. E as diferenças devem ser respeitas, afinal, é a diversidade que faz a beleza da vida. Então, nessa reta final do BBB, vote pela preservação dos valores e contra qualquer tipo de preconceito. Vote contra Dourado! Vote Fernanda!

Tacísio Pereira - Estudante de Engenharia da Computação, CEFET-MG

sábado, 27 de março de 2010

Dourado: homofóbico.


Depos de pensar muito sobre a questão do Marcelo Dourado (BBB10) e da homossexualidade, finalmente consegui enquadrar a situação.

Em "Crash - no limite" (Paul Haggis, 2004), Matt Dillon e Ryan Phillippe vivem dois policiais. O oficial John Ryan ofende os negros o tempo todo, mas põe sua vida em risco e quase morre para salvar uma negra que havia desrespeitado. Já o Oficial Hanson sempre defende os negros, mas, quando dá carona para um, injustamente acredita que vai ser assaltado e acaba matando o cara.

O Dourado é como o primeiro: apesar de não gostar dos gays, não vê alguém apenas por essa característica. Ele enxerga a pessoa que há por trás do gay (por favor, não interpretar tendenciosamente). Isso faz com que, no âmbito do discurso, ele ofenda os gays o tempo todo, mas no da ação, não segregue o Serginho ou o Dimmy.

Os dois policiais são racistas, cada um a seu modo.

Da mesma forma, Dourado respeita a orientação sexual alheia (no sentido "eu lá e ele cá"), não exclui os gays da casa e conhece seu preconceito, mas é homofóbico pelo discurso que apresenta, definindo a homossexualidade com algo ruim.

Outros poderiam adotar um discurso de que gays tem que ser respeitados e que a diversidade deve ser valorizada, mas no fundo os detestar.

Nenhum dos dois tipos de preconceito é válido. Ambos são homofobia.

Sendo assim, finalmente tenho uma posição sobre Dourado: ele é homofóbico sim. Quero que ele saia.

Observação: Meu posicionamento em relação ao comentário do leitor Hugo no post anterior: Primeiro obrigado pelo comentário. Segundo talvez 80% dos héteros sejam mesmo como ele, mas se é assim, então 80% dos héteros estão errados... não é por que são a maioria que isso deve ser considerado normal, afinal nem tudo que é comum é normal.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Tempos modernos é no horário das seis


A novela “Cama de gato”, de Thelma Guedes e Duca Rachid, que está chegando aos seus capítulos finais, tem uma trama que foge bastante dos padrões. Cheia de reviravoltas, e com novas surpresas a cada semana, ela tem conseguido uma audiência excelente para o horário.

A novidade trazida pela novela é a velocidade. Diferentemente do ritmo acelerado das novelas de Walcyr Carrasco e Carlos Lombardi, em que temas novos são introduzidos a cada semana, o que Cama de Gato traz de rápido é o desenvolvimento do enredo.

“Viver a vida”, de Manoel Carlos, tem apresentado um ritmo tão lento que acontecimentos previstos a cerca de seis meses, quando a novela começou a ir ao ar, até hoje não ocorreram. “Cama de gato”, por outro lado, apresentou, no último mês, algo bastante novo na teledramaturgia brasileira: semanas antes de sua finalização, a trama já estava mais bem resolvida do que a da maioria das novelas ao chegar em seu penúltimo episódio.

Na semana passada, faltando quatro meses para a finalização da novela, os vilões já haviam sido desmascarados e presos, os casais que enfrentaram problemas para ficar juntos durante toda a trama, inclusive os protagonistas, já haviam conseguido vencer as barreiras que impediam a união.

No entanto, o que os episódios desta semana têm mostrado é que, mesmo assim, a novela ainda promete. A vilã arquiteta uma fuga, o relacionamento dos protagonistas está abalado por uma traição, um dos casais foi destruído por uma morte trágica.

E essa velocidade não se destaca apenas por isso. Poucos episódios depois do início da novela, a trama já começou para valer: o protagonista foi acusado injustamente por um crime e dado como morto. A novela poderia ter explorado esse fato até o final, mas não: cerca de dois meses depois o protagonista já tinha dado a volta por cima e largado a vilã para se casar com a mocinha.

Mas nem tudo havia se resolvido: dessa vez um amigo do protagonista é quem passou a ser responsabilizado pelo crime, que (óbvio) havia sido cometido pela vilã, que, como eu já disse, já foi desmascarada, comprovando a inocência de mais um injustiçado.

Pena que a novela irá ter tão poucos episódios: apenas 162, em seis meses de exibição.

Bial parcial


Nesta edição do Big Brother Brasil, Pedro Bial está mais parcial que nunca.

O apresentador já fez coisas como falar ao vivo para Lia que a adorava e comentar que não havia entendido o resultado do paredão em que Tessália foi eliminada.

Até mesmo chamou Serginho de narcisista, disse que Dourado queria aparecer e que Michel ficava entre as duas casas. Isso tudo ao analisar o lugar em que cada um dos brothers se sentava durante as edições do programa.

Ele também já fez coisas como perguntar para Serginho se ele é ativo ou passivo, e (preconceitos à parte) aconselhá-lo a não cortar os pulsos, em referência à sua identidade emo.

Por último, insinuou que Lia está apaixonada por Cadu, assim como já tinha feito em relação a Serginho e Michel.

Na minha opinião, a função de um apresentador de reality shows é exatamente colocar lenha na fogueira. Já disse aqui que acredito que esse Big Brother se destaca pela honestidade. Para mim, a parcialidade do Bial não compromete em nada o desenvolvimento do programa, e só aquece as relações entre os participantes e as discussões do público.

Não é por que o Bial tem uma opinião sobre os participantes que os telespectadores vão concordar com ele. Pelo contrário, a opinião do apresentador só reforça a do telespectador: se ele não concorda com o Bial, sua discordância só será aumentada.

Mas deixei para o final a imparcialidade mais cômica (e uma das maiores pérolas do programa): o vácuo em que Bial deixou Jozi ao ser perguntado sobre quem era a sua participante favorita. Jozi acreditava que seria ela. Bial respondeu “Priscila, do BBB9”. Hilário.