sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Jornal Nacional e o Haiti


O Jornal Nacional, da Rede Globo, tem o hábito de explorar até a exaustão os temas de maior interesse da audiência. Quase sempre esses temas estão relacionados a algum crime ou desastre. Dessa vez, o assunto do momento é o Haiti.

Esse assunto, no entanto, tem uma grande vantagem em relação a muitos outros que já ganharam destaque no telejornal (como os casos Isabella Nardoni e Sean Goldman): ele é um assunto realmente importante para o interesse público e de relevância internacional.

As coberturas de ontem e hoje ocuparam uma parte muito grande do telejornal. No primeiro dia, a equipe do Jornal Nacional conseguiu fazer uma grande quantidade de matérias sobre o tema, cada uma abordando um aspecto em particular, sem repetições ou aboragens desnecessárias e irrelevantes.

No entanto, na transmissão de hoje não havia mais muitas possibilidades de cobertura, como já era de se esperar. O resultado foi o mesmo de sempre, nesses casos: tudo o que foi falado em um dia, foi falado no outro novamente. Pouca novidade e muito mais-do-mesmo.

No entanto, a cobertura dessa catástrofe está tendo outra vantagem, provavelmente por causa da própria natureza do acontecimento: não houve, até agora, nenhuma abordagem invasiva e de caráter bisbilhoteiro, como ocorrido nos casos que já citados.

Mesmo quando foram mostrados os salvamentos de pessoas em particular, esses não exploraram o drama pessoal dessas pessoas, mas sim usaram o flagrante para demonstrar como os resgates estão sendo feitos. Além disso, a pesar da abordagem de temas delicados, como as valas para enterros em comum, tudo foi tratado com muita delicadeza e coberto por imagens adequadas.

Na transmissão de quinta-feira, em particular, houve uma construção muito bonita, chamada pelo telejornal de “Socorro no Haiti”. No fim de cada bloco, eram mostrados alguns segundos do resgate de uma menina, e no último bloco mostrou-se o salvamento completo.

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