sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Revendo Insensato Coração


Ao longo do enredo de Insensato Coração, muitas coisas me incomodaram:

1. As soluções estapafúrdias encontradas pelos autores: Sequestrador morto ao ser cortado no tornozelo com uma faca de pão. Helicóptero que invade o pátio da cadeia com uma corda, matando uma dezena de policiais e arrancando um prisioneiro de lá. Personagem que possui uma chance em um milhão de engravidar que engravida duas vezes ao longo da novela...

2. Protagonistas pastéis, sem enredo e sem carisma (e a culpa é muito mais do roteiro do que dos atores. Paola Oliveira deu um show em outros papéis).

3. A narrativa soap opera: personagens que entram numa semana e saem na seguinte, minitramas irrelevantes para a condução da narrativa principal, como os casos Lavínia Vlasak e José Wilker.

4. A proliferação de mortes: 25 ao longo da trama.

5. A falta de caráter generalizada: A mocinha patética metendo a mão na cara de Lavínia Vlasak. A vítima boazinha que mata a colega da cadeia.

6. Os figurinos que ajudaram muito pouco a definir as características das personagens (com exceção de Natalie), servindo apenas como desfile de moda.

7. A falsa promessa do caso José Wilker: Tia Neném insinuava que ele seria pai de um dos filhos de Wanda, mas a trama não vingou.

8. As personagens caracturais: Bibi, André.

9. A proliferação de personagens sem graça, sem sal, fakeados de bonzinhos: Rafa, Cecília, Marina, Alice.

Entretanto, tendo o enredo chegado ao final, sou obrigado a admitir pontos positivos da novela:

1. Excelente intervenção social em relação à homofobia, com as agressões sofridas por Xicão e Gilvan.

2. Capacidade admirável dos autores de amarrarem, nos últimos capítulos, os acontecimentos aparentemente aleatórios ocorridos ao longo dos capítulos.

3. Personagens marcantes e bem construídos: Léo, Norma, Douglas, Roni, Natalie, Cortez, Tia Neném, Eunice.

4. Sequências sensacionais, como a falsa morte de Léo, a primeira prisão de Cortez, o desfecho do golpe sofrido por Carmem, a morte de Léo.

5. Últimos capítulos empolgantes.


Também admito que a aparente ausência de uma trama principal, que persistiu durante quase toda a trama, foi solucionada a partir da vingança de Norma em relação a Léo, que acabou ocupando esse lugar. Prevista desde o começo do enredo, essa trama não surgiu de cara: o protagonismo (ao menos proposto) não pertencia à personagem de Glória Pires.

Em minha opinião, essa aparente ausência de trama principal se deveu ao fato de o acidente que matou Luciana ter sido apresentado quase como um evento aleatório. Só do meio da novela pra frente, pudemos saber que a queda do avião foi, na verdade, um golpe de Léo. Se isso tivesse sido explicitado desde o começo, entenderíamos a trama principal como a inveja de Léo a Pedro (o que parece ser, na verdade, o que os autores tentaram propor infrutiferamente). Pra que esconder a vilania desse personagem? Além de atrapalhar o esclarecimento do enredo, não parece ajudar nada na construção dele. Em casos como Flora (A Favorita, 2008-2009) e Clara (Passione, 2010-2011), isso fez sentido, mas não aqui.

Enfim, pra mim, Insensato Coração foi uma novela ruim, com algumas características muito interessantes.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Todos os ingredientes necessários


Estreou hoje a nova novela das sete da Rede Globo, “Ti-ti-ti”, de Maria Adelaide Amaral. O episódio correu de forma leve, sem as costumeiras mega cenas de ação que, a pesar de lindas, não dizem quase nada sobre o enredo de uma novela. Com isso, o público pôde entender bem a história, os núcleos, as personagens. A trama pareceu ser muito boa.

Texto agradável e atuações convincentes. Destaque para Malu Mader, Guilhermina Guinle, André Arteche e Gustavo Leão.

Excelente caracterização das personagens no que diz respeito a figurinos, como pôde ser visto a partir de Adriano (Rafael Zulu) e Help (Betty Gofman), e também em relação e elementos como o corte de cabelo, como os de Edgar (Caio Castro), Julinho (André Arteche) e Ariclenes (Murilo Benício).

Abertura bem humorada. Trilha sonora combinando com a trama. Continuidade bem feita. Boa transição entre as cenas, em especial o recurso utilizado para inserção de flash back.

Sotaque mineiro na medida, a começar por Ísis Valverde, que sabe bem o que está fazendo, já que nasceu em Belo Horizonte. A cidade, inclusive, foi muito bem representada, com gravações na Praça da Liberdade e na Lagoa da Pampulha.

Nesta última, houve uma excelente cena em que Osmar (Gustavo Leão) quase bate o carro. A sequência conseguiu fazer marketing social sobre o uso de celulares durante a direção, ajudou a amarrar a trama (já que sabemos que a personagem de Gustavo Leão morrerá em breve num acidente de carro) e a caracterizar as personagens Osmar (Gustavo Leão) e Julinho (André Arteche), e foi muito bonita.

As personagens gays não são estereotipadas e, por outro lado, são bastante convincentes. Boa tematização religiosidade x homossexualidade.

O núcleo encabeçado por Nicole (Elizângela) e Marta (Dira Paes) é hilário.

Bom elenco jovem (Carolina Oliveira, Fernanda Souza, Ísis Valverde, Gustavo Leão, André Anteche, Davi Lucas). Mas o elenco mais maduro também não fica para trás (Mauro Mendonça, Nicette Brubo, Malu Mader, Elizângela, Cláudia Raia).

Destaque também para as iniciantes Juliana Paiva e Clara Tiezzi.

Duas atrizes, entretanto, não me agradaram muito. Camila Bianchi, com gestos e entonações teatrais e fora de contexto, e Giulia Gam, um pouco exagerada.

“Ti-ti-ti” tem a excelente direção de Jorge Fernando, que sempre é receita de sucesso. Tomara que continue tão boa quanto foi seu primeiro episódio.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Globo Mar: excelente produção


Imagina uma repórter de short e cabelo atrapalhado, fazendo uma passagem de dentro do mar. De repente uma onda bate nas pernas dela, fazendo-a dizer: “Opa, quase que eu caio!” Por mais que pareça estranho e fora de qualquer padrão, essa é uma das melhores passagens que eu tenho visto nos últimos tempos.

Hoje assisti o programa “Globo Mar” pela primeira vez, e, embora esteja dando um tempinho com o AudienciAtiva, não consegui deixar de escrever sobre essa nova produção da Rede Globo.

Nem o jornalístico “Profissão Repórter”, que eu considero muito bom, consegue atingir o nível de excelência desse novo programa. Fotografia perfeita, digna de cinema. Texto muito bem escrito. Narrativa igualmente bem construída. Descontração, naturalidade, mas com profissionalismo.

Falta um pouco de investigação, de relevância nos temas reportados, mas a idéia de abordar um tema de forma mais cotidiana, peculiar, não deixa de ser interessante, a pesar de perigosa, pois gera o risco de virar “mais do mesmo” em pouco tempo.

O horário também é péssimo. A Globo faz boas produções nos horários mais inadequados. Que tal domingo de manhã? Sábado à noite? Não entendo por que alguns horários tem tão poucas opções...

terça-feira, 30 de março de 2010

Dourado disse que só homossexuais pegam AIDS...


Big Brother Brasil
. Um dos assuntos mais falados ultimamente no país. Para muitos é apenas mais um programa frívolo para pessoas fúteis que se interessam pela vida alheia. Mas a questão do BBB vai muito além.

O Big Brother pode ser encarado como uma forma do público julgar os participantes. No entanto, um papel fundamental do maior reality show da televisão brasileira é julgar o próprio público. Julgar o que o publico considera certo ou errado. Aliás, vou me referir ao público como o povo brasileiro, ou apenas o brasileiro. O brasileiro julga os participantes por seus atos, mas com base em seus valores, em seus princípios morais. E de acordo com os resultados de tais julgamentos, os chamados “paredões”, podemos traçar o perfil do brasileiro.

Um dos participantes favoritos a ganhar esta décima edição do BBB é Marcelo Dourado. Uma pessoa que diz que heterossexuais não pegam AIDS. Isso seria ignorância? Preconceito? Não posso afirmar ao certo. O que posso afirmar é que Dourado é o símbolo da arrogância e da falta de respeito. Será mesmo que o povo o elegerá vencedor como se ele representasse bem o perfil do brasileiro? O mesmo povo que elege Maluf, Arruda, Sarney.

O Dourado vencer este BBB é como ele ser eleito nosso modelo a ser seguido. Estamos no século XXI e precisamos evoluir. Não cabe mais preconceito de qualquer natureza, tampouco desrespeito a qualquer ser humano. Quando participou da quarta edição do reality-show, Dourado chegou a dizer que iria “cuspir na cara do Caetano Veloso”. Não consigo acreditar que uma pessoa que fala barbaridades como essas mereça ganhar um milhão e meio de reais. E não acredito também que o brasileiro se sinta bem representado por tal perfil. Ainda acredito no ser humano e nos valores.

Algumas edições do BBB pareceram mais projetos de caridade que um jogo, por premiar os participantes mais necessitados. Atualmente o reality show é encarado realmente como um jogo e julgam que o melhor estrategista mereça vencer. Mas antes de tudo, temos que pensar no caráter, nos valores, nos princípios. Não vale a pena passar por cima das pessoas por dinheiro. E as diferenças devem ser respeitas, afinal, é a diversidade que faz a beleza da vida. Então, nessa reta final do BBB, vote pela preservação dos valores e contra qualquer tipo de preconceito. Vote contra Dourado! Vote Fernanda!

Tacísio Pereira - Estudante de Engenharia da Computação, CEFET-MG

sábado, 27 de março de 2010

Dourado: homofóbico.


Depos de pensar muito sobre a questão do Marcelo Dourado (BBB10) e da homossexualidade, finalmente consegui enquadrar a situação.

Em "Crash - no limite" (Paul Haggis, 2004), Matt Dillon e Ryan Phillippe vivem dois policiais. O oficial John Ryan ofende os negros o tempo todo, mas põe sua vida em risco e quase morre para salvar uma negra que havia desrespeitado. Já o Oficial Hanson sempre defende os negros, mas, quando dá carona para um, injustamente acredita que vai ser assaltado e acaba matando o cara.

O Dourado é como o primeiro: apesar de não gostar dos gays, não vê alguém apenas por essa característica. Ele enxerga a pessoa que há por trás do gay (por favor, não interpretar tendenciosamente). Isso faz com que, no âmbito do discurso, ele ofenda os gays o tempo todo, mas no da ação, não segregue o Serginho ou o Dimmy.

Os dois policiais são racistas, cada um a seu modo.

Da mesma forma, Dourado respeita a orientação sexual alheia (no sentido "eu lá e ele cá"), não exclui os gays da casa e conhece seu preconceito, mas é homofóbico pelo discurso que apresenta, definindo a homossexualidade com algo ruim.

Outros poderiam adotar um discurso de que gays tem que ser respeitados e que a diversidade deve ser valorizada, mas no fundo os detestar.

Nenhum dos dois tipos de preconceito é válido. Ambos são homofobia.

Sendo assim, finalmente tenho uma posição sobre Dourado: ele é homofóbico sim. Quero que ele saia.

Observação: Meu posicionamento em relação ao comentário do leitor Hugo no post anterior: Primeiro obrigado pelo comentário. Segundo talvez 80% dos héteros sejam mesmo como ele, mas se é assim, então 80% dos héteros estão errados... não é por que são a maioria que isso deve ser considerado normal, afinal nem tudo que é comum é normal.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Tempos modernos é no horário das seis


A novela “Cama de gato”, de Thelma Guedes e Duca Rachid, que está chegando aos seus capítulos finais, tem uma trama que foge bastante dos padrões. Cheia de reviravoltas, e com novas surpresas a cada semana, ela tem conseguido uma audiência excelente para o horário.

A novidade trazida pela novela é a velocidade. Diferentemente do ritmo acelerado das novelas de Walcyr Carrasco e Carlos Lombardi, em que temas novos são introduzidos a cada semana, o que Cama de Gato traz de rápido é o desenvolvimento do enredo.

“Viver a vida”, de Manoel Carlos, tem apresentado um ritmo tão lento que acontecimentos previstos a cerca de seis meses, quando a novela começou a ir ao ar, até hoje não ocorreram. “Cama de gato”, por outro lado, apresentou, no último mês, algo bastante novo na teledramaturgia brasileira: semanas antes de sua finalização, a trama já estava mais bem resolvida do que a da maioria das novelas ao chegar em seu penúltimo episódio.

Na semana passada, faltando quatro meses para a finalização da novela, os vilões já haviam sido desmascarados e presos, os casais que enfrentaram problemas para ficar juntos durante toda a trama, inclusive os protagonistas, já haviam conseguido vencer as barreiras que impediam a união.

No entanto, o que os episódios desta semana têm mostrado é que, mesmo assim, a novela ainda promete. A vilã arquiteta uma fuga, o relacionamento dos protagonistas está abalado por uma traição, um dos casais foi destruído por uma morte trágica.

E essa velocidade não se destaca apenas por isso. Poucos episódios depois do início da novela, a trama já começou para valer: o protagonista foi acusado injustamente por um crime e dado como morto. A novela poderia ter explorado esse fato até o final, mas não: cerca de dois meses depois o protagonista já tinha dado a volta por cima e largado a vilã para se casar com a mocinha.

Mas nem tudo havia se resolvido: dessa vez um amigo do protagonista é quem passou a ser responsabilizado pelo crime, que (óbvio) havia sido cometido pela vilã, que, como eu já disse, já foi desmascarada, comprovando a inocência de mais um injustiçado.

Pena que a novela irá ter tão poucos episódios: apenas 162, em seis meses de exibição.

Bial parcial


Nesta edição do Big Brother Brasil, Pedro Bial está mais parcial que nunca.

O apresentador já fez coisas como falar ao vivo para Lia que a adorava e comentar que não havia entendido o resultado do paredão em que Tessália foi eliminada.

Até mesmo chamou Serginho de narcisista, disse que Dourado queria aparecer e que Michel ficava entre as duas casas. Isso tudo ao analisar o lugar em que cada um dos brothers se sentava durante as edições do programa.

Ele também já fez coisas como perguntar para Serginho se ele é ativo ou passivo, e (preconceitos à parte) aconselhá-lo a não cortar os pulsos, em referência à sua identidade emo.

Por último, insinuou que Lia está apaixonada por Cadu, assim como já tinha feito em relação a Serginho e Michel.

Na minha opinião, a função de um apresentador de reality shows é exatamente colocar lenha na fogueira. Já disse aqui que acredito que esse Big Brother se destaca pela honestidade. Para mim, a parcialidade do Bial não compromete em nada o desenvolvimento do programa, e só aquece as relações entre os participantes e as discussões do público.

Não é por que o Bial tem uma opinião sobre os participantes que os telespectadores vão concordar com ele. Pelo contrário, a opinião do apresentador só reforça a do telespectador: se ele não concorda com o Bial, sua discordância só será aumentada.

Mas deixei para o final a imparcialidade mais cômica (e uma das maiores pérolas do programa): o vácuo em que Bial deixou Jozi ao ser perguntado sobre quem era a sua participante favorita. Jozi acreditava que seria ela. Bial respondeu “Priscila, do BBB9”. Hilário.

quarta-feira, 17 de março de 2010

“Viver a vida” usa bem o fechamento da novela


A novela “Viver a Vida” tem uma excelente trilha sonora. No entanto, por ser muito grande (são três CDs, e algumas músicas ficaram de fora de todos eles), fica difícil para o público conhecer todas as canções.

Uma estratégia interessante tem sido realizada: na hora de exibir os créditos da novela um trecho de uma das músicas é apresentado. A música selecionada muda a cada semana.

Pena que isso não seja suficiente para compensar o fato de músicas que são bastante tocadas na novela, como “Ver ver”, de Tamy, ou “O último pôr-do-sol”, de Lenine, não estarem nos CDs...

Mesma sacada de sempre


Até quando os autores vão continuar usando as mesmas estórias?

Desta vez foi Bosco Brasil, na até então fracassada “Tempos Modernos”, quem reviveu a chatice dos irmãos que se apaixonam, posteriormente se separaram por descobrirem o fato, e mais tarde descobrem que não são irmãos coisa nenhuma.

Que falta de criatividade...

Nextel tem excelente merchandising em “Viver a vida”


Em tempos de merchandisings cada vez mais frequentes e forçados nas novelas, o episódio de ontem de “Viver a vida” levou ao ar uma proposta muito bem elaborada.

Helena (Taís Araújo) e Bruno (Thiago Lacerda) conversaram via Nextel sobre um trabalho que fizeram juntos e marcaram um encontro na produtora em que trabalham.

Durante a cena, a aparição do aparelho, bem como a sua utilização, soou muito natural e ajudou na composição.

A boa execução lembra o comentadíssimo merchandising da Hellmann’s, em “Toma lá dá cá”.

segunda-feira, 15 de março de 2010

“Malhação” tem ótimo texto, bom-humor e boa caracterização das personagens


A atual temporada de “Malhação”, escrita por Ricardo Hofstetter, que já havia escrito a série em 2004, tem apresentado um texto leve, inteligente e muito interessante, diferentemente do que vinha ocorrendo nas temporadas anteriores, que apresentavam textos infantis e pouco elaborados.

Sacadas como as confusões provocadas pela semelhança entre o nome das cidades de “Serra da Pedra” e “Pedra da Serra”, por exemplo, tornam o texto delicioso. Ao mesmo tempo, temas fortes como doenças sexualmente transmissíveis e literatura erótica tornam o texto atraente até mesmo para o público adulto.

Um excelente elenco tem sido contemplado com personagens muito bons. Maria Cláudia, personagem de Isabella Dionísio, por exemplo, é a patricinha fuchiqueira. O casal Valentina e Lucca, personagens de Júlia Bernat e Erik Vesch, são totalmente fora dos padrões: ele é frágil e sensível; ela é marrenta e racional. As vilãs também se apresentam de forma muito criativa: ambas apaixonadas pelo protagonista, elas tentam atrapalhar o namoro do casal principal juntas.

Um outro ponto alto da produção é a trilha sonora, que revive com estilo sucessos da década de 80.

Pena que a audiência não esteja agradando a emissora, que irá adiantar o fim da temporada. A Globo ainda não percebeu que a perda de audiência, em vários horários, não é algo tão simples de se contornar, e que por mais boa que seja uma trama, ela não irá alcançar um sucesso como o obtido em 2004 facilmente.

Dourado: homo friendly ou homofóbico?


Considera ser chamado de homossexual, sem o ser, algo tão negativo quanto ser chamado de neo-nazista ou de ladrão, sem o ser...

Diz que o trabalho de Dicésar como transformista é maravilhoso.

Sente nojo de ver homens se beijando...

Diz que entende o comportamento de Dicésar de tentar agradar a todos, já que ele sofre muito por viver em um mundo preconceituoso, sendo rejeitado por isso.

No mínimo contraditório.

Na certa não compreende e não se dá bem com a diversidade sexual.

Mas também na certa respeita o direito à diferença e conhece seus próprios preconceitos.

Todos nós não temos preconceitos?

Somos capazes de assumi-los?

Dourado não é um exemplo (Nem se quer vou com a cara dele).

Mas o comportamento dele é assim tão condenável?

Não reflete o que cada um de nós sente por alguém, de certa forma, mas esconde?

Também não sei a resposta, na verdade...

quarta-feira, 3 de março de 2010

“Viver a Vida” tem sérios problemas no ritmo e na continuidade


A novela “Viver a Vida”, de Manoel Carlos, está apresentado um ritmo cada vez mais lento. Apesar de essa ser uma marca das novelas do autor, que foca no cotidiano e não nas grandes narrativas, o problema pode estar relacionado também aos atrasos do mesmo ao entregar os capítulos da trama.


A estória tem se desenvolvido de forma tão lenta que a passagem de um dia, para os personagens, tem durado por tvolta de três capítulos da novela. É o que está acontecendo atualmente, com o dia da festa de boas-vindas de Luciana na casa amarela e o dia seguinte.

Além disso, desenlaces que o público já conhece de antemão e espera há mais de três meses ainda não ocorreram. É o caso do tão esperado romance entre Felipe e Teresa, personagens de Rodrigo Hilbert e Lília Cabral. Também está demorando muito a evolução da história da médica Ariane, personagem de Christine Fernandes, apaixonada pelo marido de sua paciente.

Para piorar a situação, têm ocorrido problemas na continuidade da novela. No episódio de segunda-feira, dia primeiro de março, Miguel, personagem de Mateus Solano, foi à casa amarela acompanhar a fisioterapia de Luciana, personagem de Alinne Moraes. Cenas mais tarde ele estava indo dormir na noite do dia anterior.

Uma novela que começou tão bem...


domingo, 17 de janeiro de 2010

Aspectos positivos do Zorra


Para falar que o Zorra Total tem um estilo ultrapassado e desestimulante, e que seus textos são fracos e preconceituosos, ninguém precisa deste blog, pois já há muita gente defendendo esse ponto de vista.

Com isso, não quero dizer que não concordo com essa avaliação. Muito pelo contrário. Mas hoje venho destacar dois pontos do programa que são bastante positivos, e que nem sempre recebem a mesma ênfase.

O primeiro deles é a qualidade dos humoristas que fazem parte do elenco. Por mais que o formato seja adequado ao início do século passado e a maioria dos textos pareça ser escrita para crianças, com doses de homofobia e machismo, o elenco do programa é, e sempre foi, de primeira.

Alguém ousa se opor ao talento de Fabiana Karla, Maria Clara Gueiros, Samanta Schmütz e Katiuscia Canoro, por exemplo? Todas revelações do programa, cada uma delas é hoje uma das maiores humoristas do país.

É sobre essa última o outro ponto positivo: de todos os quadros do programa, nesses mais de dez anos que ele vai ao ar, eu não me lembro de nenhum mais bem escrito, bem executado e mais criativo que o de Lady Kate.

Já há quase um ano no ar, o quadro não se prende ao mais-do-mesmo e ao reaproveitamento do roteiro anterior, como a maioria dos demais.

No programa de ontem, a nova rica se apaixonou pelo enteado, que já tinha uma namorada igualzinha a ela. No da semana passada, ela foi cantar em um karaokê e revelou o talento de uma cozinheira. Há algum tempo, foi fazer bronzeamento artificial, exagerou e acabou negra. Fez um tratamento pra corrigir e ficou albina.

Enfim, a cada semana o quadro surpreende, e, já que conta com um ótimo elenco e um texto muito engraçado, não deixa de fazer sucesso.

Que o quadro possa servir de exemplo para o programa, que tem tudo pra ser melhor do que é, só bastando, para isso, acertar alguns ponteiros e apostar na criatividade, como tem feito com a história de Lady Kate.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Tempos modernos... e no jornalismo?


Qual é a relevância de se falar sobre assuntos pessoais de vítimas do acidente de ontem, em que uma árvore, devido à chuva, caiu perto do hospital Júlia Kubitschek?

Nesse acontecimento, o que tem relevância é mostrar o acidente, quais foram as causas e conseqüências do mesmo, e o que foi e está sendo feito pelas autoridades.

O sofrimento da família dessas vítimas, assim como os velórios e os enterros das mesmas, só são de interesse das próprias famílias, bem como suas histórias de vida, que não têm nada de peculiar.

Esse tipo de abordagem não é jornalismo de qualidade e de respeito. É fofoca e bisbilhotagem. É um excelente exemplo de sensacionalismo.

Ainda por cima, a segunda edição do MGTV de hoje, além de levar ao ar esse tipo de abordagem, teve um grave problema técnico: após uma chamada para uma matéria sobre o reaparecimento de um homem que supostamente teria sido vítima de um desabamento, o que entrou ao ar foi a previsão do tempo.

Com as melhorias que vem ocorrendo no formato da primeira edição do telejornal, como as entrevistas ao vivo, que já não são feitas na bancada, mas em poltronas que deixam âncoras e entrevistados mais à vontade, e a conversa mais agradável; e com o formato totalmente reformulado do SPTV: nenhuma fala lida, uso de um telão interativo, ausência de bancada e presença de comentaristas, a existência desse tipo de erros e abordagens no MGTV segunda edição é ainda mais lamentável.

Além de ser um exemplo de jornalismo velho e ultrapassado, ainda não está sendo feito com a qualidade que deveria. É uma pena...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Jornal Nacional e o Haiti


O Jornal Nacional, da Rede Globo, tem o hábito de explorar até a exaustão os temas de maior interesse da audiência. Quase sempre esses temas estão relacionados a algum crime ou desastre. Dessa vez, o assunto do momento é o Haiti.

Esse assunto, no entanto, tem uma grande vantagem em relação a muitos outros que já ganharam destaque no telejornal (como os casos Isabella Nardoni e Sean Goldman): ele é um assunto realmente importante para o interesse público e de relevância internacional.

As coberturas de ontem e hoje ocuparam uma parte muito grande do telejornal. No primeiro dia, a equipe do Jornal Nacional conseguiu fazer uma grande quantidade de matérias sobre o tema, cada uma abordando um aspecto em particular, sem repetições ou aboragens desnecessárias e irrelevantes.

No entanto, na transmissão de hoje não havia mais muitas possibilidades de cobertura, como já era de se esperar. O resultado foi o mesmo de sempre, nesses casos: tudo o que foi falado em um dia, foi falado no outro novamente. Pouca novidade e muito mais-do-mesmo.

No entanto, a cobertura dessa catástrofe está tendo outra vantagem, provavelmente por causa da própria natureza do acontecimento: não houve, até agora, nenhuma abordagem invasiva e de caráter bisbilhoteiro, como ocorrido nos casos que já citados.

Mesmo quando foram mostrados os salvamentos de pessoas em particular, esses não exploraram o drama pessoal dessas pessoas, mas sim usaram o flagrante para demonstrar como os resgates estão sendo feitos. Além disso, a pesar da abordagem de temas delicados, como as valas para enterros em comum, tudo foi tratado com muita delicadeza e coberto por imagens adequadas.

Na transmissão de quinta-feira, em particular, houve uma construção muito bonita, chamada pelo telejornal de “Socorro no Haiti”. No fim de cada bloco, eram mostrados alguns segundos do resgate de uma menina, e no último bloco mostrou-se o salvamento completo.

Boa prova do líder


A segunda prova do líder do BBB10 foi simples e muito interessante. Com regras fáceis e um desenho simplificado, não houve nem os erros de sempre da produção e nem os comuns mal-entendidos entre os participantes.

A idéia de criar uma prova que envolve afinidade logo na primeira semana foi muito boa: o fato de um participante escolher quem não quer que seja o líder mostra a todos quem não foi com a cara de quem. Assim, as amizades e inimizades já vão se formando desde o começo e possíveis conflitos já podem começar a acontecer.

Já a próxima prova, segundo Bial, vai ser criada pelo público. Essa idéia, em um programa cuja interatividade é central, é muito boa. O problema é que Bial deixou o assunto pela metade: disse que explicaria mais sobre isso posteriormente, mas se esqueceu do assunto.

Um outro destaque da edição de ontem foi a intervenção de Bial em relação ao mal-entendido entre Joseane, Elenita e Dicesar, na indicação da doutora ao paredão feita pela primeira líder. Bial tentou corrigir e pode ter piorado a situação: Joseana disse que Dicesar disse que Elenita disse que achou que ele havia sugerido o voto da líder, mas Elenita nunca chegou a dizer isso.

Esse tipo de intervenção por parte do apresentador não é adequado à idéia inicial do programa: pode gerar favorecimento e mostrar como cada um está sendo visto aqui fora. Em relação a isso também houve o comentário sobre a sujeira no dente de Fernanda.

Mesmo assim, eu acho bom esse tipo de intervenção. É uma maneira a mais de gerar conflitos e aquecer o programa. E dane-se o politicamente correto em um programa em que o grande barato é mesmo o circo pegar fogo!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Big Brother da honestidade


“Este é o Big Brother da diversidade”. Esse foi o discurso do episódio de estréia da décima edição do reality show mais assistido do país.

Para mim, este Big Brother está muito mais para o da honestidade. Pela primeira vez os participantes homossexuais do programa deixaram isso claro desde o começo (Dicesar, Sérgio e Angélica). Pela primeira vez foi ao ar um questionamento a respeito da pequena quantidade de negros no programa (feito por Angélica). Pela primeira vez deixou-se claro que um dos participantes foi escolhido pela produção e não por ter enviado um vídeo (Alex).

Como sempre Bial esteve ótimo. Ótimas perguntas. Comentários pertinentes. Tão bem humorado e divertido quanto sempre foi. A trilha sonora também deu um show: músicas contemporâneas usadas para revelar a essência de cada um dos participantes. A edição das matérias também foi impecável.

E que participantes! Cada personalidade mais forte que a outra. Pela primeira vez, pareceu-me que a beleza não foi o critério definidor de quem entrou e quem ficou de fora. Dessa vez ela parece ter sido apenas um complemento ou requisito positivo para agregar às qualidades dos participantes. Isso não quer dizer que um ou outro não tenha a beleza acima da personalidade, falo do grupo como um todo.

Chama atenção a popularidade que alguns dos participantes já possuíam antes do programa. O dono de um dos fotologs mais acessados do país, conhecido na Internet como Sr. Orgastic. A dona de um dos twitters mais seguidos do país, conhecida na Internet como Twittess. Uma ex-apresentadora de um programa de esportes. Ex-participantes do reality show mais visto do país, que, por acaso, é o próprio programa . Essa me parece uma boa tática: quem já tem popularidade antes de entrar ajuda a tornar a edição popular desde o começo. Injustiça? Quem disse que isso garante que o público se identifique mais com um deles?

Rótulos. Tipificações. Dividir os participantes em tribos. Não é isso que sempre foi feito implicitamente? Mais um ponto para a honestidade.

Elenita: inteligente e fútil. Quem disse que as duas coisas não combinam? Confesso que tive uma auto-identificação.

E o que foi aqueles outros ex-participantes que apareceram na vinheta? Erro de edição? Espero que a honestidade se expanda a esse ponto também, e isso venha a ser esclarecido.

Uma prova criativa! E mais um erro da produção: a tv não funcionou desde o começo. Esse tipo de problema parece ser intrínseco à lógica do programa.

Enfim... temos um BBB que ainda promete surpreender bastante.

Alta probabilidade de fracasso


Há muito tempo eu não via um texto tão infantil em uma novela da Globo. Até mesmo o seriado “Malhação”, que sempre teve uma linguagem adolescente, e nas últimas temporadas tem deixado mais ingênuo e leve o texto, nunca apresentou uma linguagem tão pobre quanto a de “Tempo modernos”, a novela das sete que estreou ontem.

Há um limite enorme entre o que engraçado e o que é patético, e Bosco Brasil não parece ser a pessoa mais indicada para demonstrar onde ele se encontra. É muito comum que as novelas das sete tenham um texto leve e divertido, mas o que se vê em “Tempos modernos” é um texto que parece ter sido escrito para um dos piores quadros do humorístico “Zorra total” ou para o enlatado adolescente “Isa TKM” da Band.

Alguns atores se destacam no quesito texto ruim. Estes, se tiverem bom-senso, devem estar arrependidos por terem aceitado o convite para atuar nessa novela. A campeã das falas patéticas é Nelinha (Fernanda Vasconcellos), com pérolas do tipo: “Super herói? Só se for de gibi... apresentaaando: capitão confusão!”. Seguindo a lista do texto no sense, vem Goretti, personagem de Regiane Alves, que parece ter dez anos de idade e um QI de ameba. Outros, como Regiane (Viviane Pasmanter) e Tertuliana (Débora Duarte) não ficam para trás.

E se o problema fosse só as falas, não seria tão grande. Mas a forma como as cenas se desenvolvem também é bastante ingênua, para não dizer boba. Um cara pendurado num carro capotado que vê alguém chegando, ao invés de pedir ajuda, fica se perguntando o que a outra pessoa estaria querendo naquele local. Uma mulher vê seu ex-marido acidentado e, ao invés de perguntar como ele está, fica fazendo gracinhas como se estivessem brincando num jardim.

Para piorar, a direção de José Luiz Villamarim não está ajudando em nada: os atores parecem ter se tornado marinheiros de primeira viagem novamente, com expressões faciais totalmente exageradas e ações inseguras e infantis, parecem canastrões de peças de escola.

As últimas novelas da Globo com textos patéticos tiveram resultados mais patéticos ainda. Estou falando de “Três irmãs” (2008), de Antônio Calmon, no horário das sete, e “Negócio da China” (2008), de Miguel Falabella, no horário das seis. O que impressiona é que depois de fracassos como esses, a Globo ainda se permita apostar em tramas com textos tão ruins.

Quer fazer uma novela engraçada? Primeiro aprenda a escrever bem, e não esqueça de ter um bom diretor. Walcyr Carrasco e Jorge Fernando acabaram de mostrar que isso é possível: fizeram um novela engraçada, bem-escrita e bem-dirigida. Em nenhum momento o texto decepcionou ou pareceu ser escrito para crianças bobas, e os atores souberam achar o ponto exato para passar verdade em suas ações.

Destaque para a abertura e a fotografia de “Tempos modernos”, que, em meio a uma direção e a um texto tão ruins, têm conseguido se sobressair como os pontos altos da produção.

Entre dois mundos


As novelas de Manoel Carlos são conhecidas por retratarem a vida de personagens ricos e bem-sucedidos do Rio de Janeiro, com tramas que, de praxe, se passam no Leblon. Em “Viver a vida”, porém, a ambientação também se dá na cidade de Búzios e em uma favela carioca.

Em relação a Búzios, a construção que a novela faz é de que a cidade é um lugar tranqüilo e paradisíaco, onde todas as pessoas se conhecem razoavelmente bem, e os turistas se deliciam com as belezas naturais.

Já a favela é retratada de uma maneira bastante negativa. Atualmente moram no local as personagens Sandrinha (Aparecida Petrowky) e Benê (Marcello Melo), além de José, o filho pequeno do casal (adoraria colocar aqui o nome do bebê que faz a personagem, mas nem o site oficial da novela tem essa informação),

Para começar, a favela é o único ambiente em que a fotografia é diferenciada. Quando apenas Benê morava por lá, as cenas não duravam mais que dez segundos e não apresentavam fala alguma, mesmo assim a fotografia era diferente da usada no restante da novela. Esse aspecto denota uma diferenciação e uma barreira entre o ambiente da favela e os demais locais retratados.

Além disso, a única função desse ambiente na trama, é ser parte do problema da personagem Sandrinha, que, no início da novela, viu-se apaixonada e grávida de Bené, um morador de favela envolvido em assaltos e confrontos com a polícia.

Não há nenhum morador do local com problemas próprios e boa índole, e nenhum aspecto positivo do ambiente é enfatizado. Pelo contrário: enfatiza-se apenas a violência e a pobreza.

Não quero dizer que as favelas são isentas desse tipo de problema, mas seria um grande reducionismo pensarmos que elas podem se resumir a isso. Na favela, também há muitos casos de amizade, resistência e superação, justamente aspectos que Manoel Carlos tenta tematizar na novela, mas preferindo o Leblon e Búzios para isso.

Se esse ambiente foi introduzido na novela, e o mais natural seria que isso fosse comum, já que as favelas são um ambiente importante e relevante em nosso país, não deveria ser tratado com tal indiferença.

No entanto, esse tipo de locação quase nunca está presente, e, quando está, é predominantemente da maneira mais negativa possível. Tematizações como essa puderam ser vistas em “Cinquentinha” (2009), de Aguinaldo Silva, e “O clone” (2001), de Glória Perez.

Duas caras” (2007), de Aguinaldo Silva, mostrou aspectos diferenciados e retratou com muita humanidade a cenográfica “Portelinha”, que, no entanto, se tratava de uma favela pacificada, e por isso não sofria com os problemas relacionados ao tráfico de drogas e à violência, como as demais.

Já “Vidas opostas” (2006), escrita por Marcílio Moraes para a Rede Record, tematizou os dois lados da moeda: mostrou a pobreza, o tráfico e as dificuldades vividas pelos moradores da favela, mas também seu dia-a-dia, a organização da comunidade, e a existência de muito trabalho e honestidade.

Enquanto a teledramaturgia continuar se referindo às favelas apenas como o lugar da violência e da pobreza, só esses aspectos serão vistos por milhares de pessoas, que permanecerão tendo uma visão bitolada e estereotipada das mesmas.